New Year’s Wishes: The One Thing To Really Put On The List

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I’ve been trying to write something for The Carioca in the spirit of wrapping things up, so to speak, and say a proper farewell to this unique year that was 2018. But I found myself struggling… Not something common for me. Though writing is always hard work, the so called “blank” or “writer’s block” has never been part of my nature.

Suddenly, I figured out the problem – and it was the very thing (I instantly knew) had to be the single item on my list of wishes for the new year, as 2019 was rising on the horizon: I wish to BE MYSELF.

Thinking “oh, this is just too simple”? Think again. After all is said and done, I notice the thing we end up lacking is usually… ourselves! And that is why we sometimes keep feeling so empty, even when it seems we have it all.

I first stumbled over this thought as I was trying to write about “end-of-the-year-blues”. I just couldn’t do it. I was writing and writing (and boy, was I writing badly!) and nothing was really coming out of that. Suddenly, I got it. That wasn’t “me”!

The idea was honest. I felt compelled to write about it after noticing, once again, that some truly fine and relatively happy people tend to feel really down this time of year and why I thought this keeps happening. So the theme was there, in my mind, some words just dancing around, but it was not shaping up easily as it usually does.

The truth is: my heart was not really in it, for these days I’m not so much a person to talk about problems as I am about the solutions. Not so much about the past (or the future, for that matter) as I am about the present. Not so much about sorrows and doubts, as I am about joy and faith – not in a religious sense, not at all, but faith that there is not such a thing as loss, but just a process of learning and enjoying life, even when it’s not exactly a walk in the park.

That notion carried me very deeply into myself while I tried to remember what was that I wished for during other end-of-the-year periods. So many images came to mind…

I wished for better grades at school the following year.

I wished to get rid of those extra 20 pounds!

I wished I would finally study drama and creative writing.

I wished for a chance to travel everywhere.

To publish a book.

To see one of my scripts turned into a real movie.

To never again worry about money!

Well, I don’t know about your wishes. Maybe you had (or even have right now) some in common with mine. Maybe not. That doesn’t matter at all. Because these wishes are actually… well… they’re kind of fake! They are a package, a cover, a mirage masking their one true meaning. What I really always wanted (and, I truly believe now, so does everybody else) was to be more of MYSELF.

The problem wasn’t that I wanted good grades. It was that I felt, sometimes, that I was not matching my true potential. And it certainly was not about being overweight as a teenager; but, instead, about the fact that I was not recognising myself in the mirror! Studying drama and writing was not solely about the activity, per se, but about putting myself in situations where I was fully conformable in my own skin – instead of doing other courses that were also absolutely interesting and useful, but that were what other people  thought would be right for me. And so the list goes on and on.

It was never about the things I thought I wanted so much, but about moving towards home. For that is how I think about each one of us today. We are our very own homes. At least we are supposed to be. If we only make the very simple, but hard, effort to shut down the outside voices and align with that thing that is ours to claim. Our essence. Our home. Ourselves. 

Começar do Zero… Isso é Mesmo Possível?

A vida como uma folha de papel em branco. Cada erro estúpido que você já cometeu, apagado. Todas as possibilidades na sua mão como uma nova e linda caneta. Você pode apenas começar a escrever uma nova história e dessa vez vai dar tudo certo.

Reconhece a fantasia? Eu aposto que sim, porque todos nós nos deliciamos com ela, de tempos em tempos. Eu mesma provavelmente comecei ali pelos doze anos – meus amigos não se cansam de dizer quão velha eu já era desde os primeiros anos e, bom, eles têm uma certa razão!

Então, neste momento, na minha vida, tive a oportunidade de transformar a fantasia em realidade. Decidi me mudar para outro país. Me livrei de tudo o que era velho, ou quebrado, ou não exatamente do meu gosto. Cuidadosamente selecionei minhas roupas, livros e pequenos objetos favoritos. Até fiz um check-up completo com a minha médica só para ter certeza de que eu estaria virando a página totalmente saudável, nova em folha. E aí, de repente, eu me vi dentro de um avião. Dez horas depois, aqui estava eu: no meu próprio sonho de começar do zero, tornado real.

Mas eu estava mesmo partindo do zero? De fato? A sensação nunca foi completamente essa… Quer dizer, aquela sensação toda de novo país, novo apartamento, novo tudo aconteceu. Mais do que aconteceu, me atropelou – de uma maneira ótima, pelo menos pra mim, uma pessoa que adora mudanças. Mas passado esse primeiro susto, o que eu realmente encontrei no que deveria ser a minha “página em branco”? Eu mesma. Um monte de coisas novas, com certeza, mas elas estavam apenas “sentadas” no topo de, e sendo moldadas por, uma velha base que eu conheço tão bem e que atende pelo nome de Flávia Ruiz.

Eu estava subitamente mais corajosa ou extrovertida só porque ninguém por aqui me conhece mesmo e quem se importa?… Não! Eu estava livre do meu medo de altura? Ou de pássaros? Cavalos? Abelhas? Basicamente qualquer coisa que pode ser encontrada em lugares ao ar livre (sim, a lista segue e segue…)? De jeito nenhum. Que tal mais descolada ou confiante no que se refere às minhas ambições e escolhas profissionais? Oh, sim, vai sonhando!…

A questão é: eu rapidamente me encontrei lidando com as mesmas coisas da minha própria e velha maneira. Isso quer dizer que eu vou, de agora em diante, aconselhar as pessoas a não fazer mudanças? Nem de longe! Muito ao contrário. Eu apelo firmemente a todos que o façam, da forma que possam ou queiram, ou quanto antes. Porque a mudança externa é a coisa que vai sempre te olhar nos olhos e gritar na sua cara: “você não pode fugir”. Da vida, das fraquezas, de você mesma. Não pode. Na verdade, o oposto acontece.

Alguma estranha força da natureza te empurra a ser mais e mais você mesma. Às vezes, de forma intensamente dolorosa. E no exato momento em que você realiza isso, essa é a hora em que você começa a percorrer o caminho que leva para onde você queria ir em primeiro lugar, de forma bem mais instantânea, mas nem um pouco real: o caminho de escrever, não uma história, mas um capítulo novo. Porque a história começou há muito tempo. Não pode jamais ser apagada. E não é precisamente isso que a torna tão incrível?…